terça-feira, 8 de agosto de 2017

Segredo.08.15


22 comentários:

  1. Imagino o sentimento! Não consigo condenar, mas doeu-me o coração ao ler.Apesar de ter sido "voluntário" pela descrição parece-me que foi mais um "tem de ser" sem ser o que realmente querias.

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  2. Não concordo, esse acontecimento não a transformou em nada, apenas revelou essa evidência. O facto de fazer um aborto completamente sozinha já indica por si só que, nessa altura, você já era uma pessoa distante, solitária e pouco sensível, porque se não fosse teria pedido a ajuda de alguém.

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    1. Acho fantástica a forma como se julga os outros a partir de 3 linhas de texto... "uma pessoa distabte, solitária e pouco sensível", diz, não conhecendo as circunstâncias de vida que levaram a autora a enfrentar essa situação sozinha. Às vezes não temos a quem recorrer e isso não quer dizer que sejamos distantes ou pouco sensíveis.

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    2. Não creio que seja justo julgar a autora do segredo dessa forma. Foi com certeza bastante doloroso, física, psicológica e emocionalmente passar por uma situação assim, ainda para mais sozinha. Não acredito que o tenha feito sozinha por opção, mas porque assim teve que ser e que isso a tenha mudado e marcado para sempre. Empatia e humanidade precisam-se...

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    3. Pouco sensível? É sabe se ela teve alguém a quem podia pedir ajuda naquela altura?

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    4. Anónimo (21:12),

      Se reparar melhor no comentário...notará que essas palavras não são minhas, são dela. Eu apenas acrescentei o termo "solitária" porque alguém que seja distante, conforme disse, e decide enfrentar essa situação sozinha não pode ter uma ligação muito forte ao mundo. Há sempre alguém a quem podemos recorrer. Até parece que os abortos são ilegais neste país. Se a autora não quiser ser julgada por 3 linhas, que escreva 6...

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    5. Anónimo (21:39),

      Tal como disse ao anónimo anterior, ela tinha a opção de poder fazer um aborto num hospital devidamente assistida por pessoal especializado. Os abortos não são ilegais, e, diga-se o que se disser, temos uma boa protecção social neste país. A menos que ela esteja a viver em situação ilegal ou seja procurada por algum crime, e nesse caso, foi uma grande asneira da parte dela engravidar se sabia não ter condições para cuidar da criança. Sobretudo quando existe pílulas contraceptivas distribuídas gratuitamente às adolescentes, preservativos à venda e farmácias abertas 24h por dia. A maior humanidade que podemos demonstrar é incentivar essa gente a ser mais autónoma e responsável na vida.

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    6. Li, sim pouco sensível. Só repeti as palavras que a autora do desabafo afirmou. Ela disse que aquele acontecimento tornou-a assim, eu disse que ela já era assim antes do acontecimento. Se ela tinha alguém? De certeza que o filho não nasceu dentro dela por magia...

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    7. Se tivesse sido por opção, ou algo fácil, a autora do segrego não se teria tornado no que diz ter-se tornado!O facto de ter feito sozinha, por si só já nos deixa imaginar o desassossego.
      Nunca devemos julgar aquilo que não conhecemos!

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    8. Exato. Porque fazer um aborto aos 18 é algo totalmente normal que as pessoas falam à mesa e tudo. As pessoas levam a família e amigos quando o vão fazer, como se fossem ao circo.
      Já não basta o trauma que a moça passou, ainda tem de ser chamada solitária e insensível por ter feito um aborto, aos 18, sem ninguém para a apoiar.
      Francisco, pare de tentar atirar o barro à parede a ver se cola. Os autores dos segredos sabem sempre mais das suas vidas e de si mesmos do que quem comenta os segredos. Ninguém é adivinho para saber como era esta moça antes de fazer um aborto.

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    9. O aborto não é ilegal agora, já o foi e é algum relativamente recente, não sabemos a idade da autora. Não é por ela ter tido um pénis dentro dela que faz com que o portador do dito fosse pessoa para a acompanhar no aborto. As pessoas não nascem com todas as suas características definidas, é algo que se vai alterando/desenvolvendo ao longo da vida de acordo com as experiências que vamos vivendo.

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    10. Vera, porque não há pessoas no mundo que estão sempre muito seguras de si e que fazem todo o tipo de disparates em nome das suas convicções ou da sua teimosia bacoca? Pessoas do tipo: "Quem eu, pedir? Não, não peço nem preciso de ninguém, consigo fazer tudo sozinho.."
      Eu julgo apenas aquilo que a pessoa nos mostra. Se ela diz que ficou distante e pouco sensível devido a esse acontecimento, não adiantando mais nada senão isso, eu tenho o direito de achar que, devido ao que ela fez, ela já era distante e pouco sensível antes de fazer seja o que for. Se alguém achar que estou errado, basta prová-lo.

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    11. Anónimo (15:23),

      Não, de facto não é mais comum um aborto ser feito aos 18 anos, a média em Portugal situa-se entre os 20 e os 24. Acho que foi um aborto prematuro...
      Também não gosto de circo por isso escusa de fazer o seu.
      Se não quer que a chamem de solitária e insensível, como acha que devemos chamá-la? de Civilizada? de Sociável? de Comunicativa? de Humana?

      Responda meu caro anónimo, diga-nos lá em qual destes adjectivos a autora do desabafo se enquadra melhor. Mostre-me lá se o seu "barro" consegue ser melhor do que o meu...

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    12. Se a autora tiver 30 anos aos 18 era ilegal. Pode até ter mais. Depois você não sabe se foi apenas um mau relacionamento, se foi um abuso de familiar (que infelizmente são bem comuns e o apoio da família nestes casos é muito mais dificil), nao sabe as convicções religiosas ou sociais da família ou amigos da autora, não sabe as circunstâncias em que ela estava quando tomou esta decisão ou quando engravidou. Se calhar ate falou com alguém (incluindo o co-autor do feto) e foi criticada ou repudiada em vez de ajudada.
      E, acontecimentos traumáticos podem ter impactos profundos na personalidade de cada um, mudar aspectos que não eram característicos da pessoa e trazer ao de cima outros que não eram seus. Exemplo: uma pessoa terna e generosa em geral empresta dinheiro a um amigo em necessidade que depois não cumpre a palavra e causa ruína ao amigo generoso. Quando recupera de uma fase negra esse amigo bondoso pode passar a agir de forma avara, não por ser sua natureza mas para prevenir e não ser enganado de novo.
      Isto para dizer que o senhor Francisco tira imensas ilações a partir de pouco. Julga como sabe mas que foi um nadinha agressivo na interpretação do segredo, lá isso foi.

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    13. Anónimo (12:53),

      Mas a quem pertence a responsabilidade de divulgar todas as informações julgadas importantes para a avaliação de um caso, não é da autora?
      Se ela escreve 3 alíneas, não é sobre essas ditas que teremos que julgá-la?
      Releia o desabafo e veja se consegue definir qual é o assunto principal!
      É o aborto? Ou é o facto de ela ser distante e sensível?
      Depois de avaliar isso vai reparar que eu fui o único que respeitei a temática do desabafo. Tudo o que se seguiu depois foi pura subjectividade dos comentadores.

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  3. Como é mesmo?!
    Não sei como isso se processou mas penso que um evento assim consegue deixar marcas profundas. Especialmente pela ausência de apoio e acompanhamento.

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    1. Quando é uma interrupção médica, até às 16 semanas, penso que é como o médico me mandou fazer a mim, colocar comprimidos de 8 em 8 horas e esperar que o corpo comece a fazer a expulsão.
      Quando passa dessas semanas a mulher tem de passar por um parto em ambiente hospitalar.
      Se por uma interrupção voluntária da gravidez, colocam a mulher a dormir e aspiram.

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  4. Isso é muito triste. Obviamente que esse acontecimento te marcou e ficou cristalizado de alguma forma.O trauma é a razão pela qual te tornaste "distante" e pouco sensível. No momento tiveste de anestesiar os sentidos e dissociar-te do que estavas a fazer, porque é um acto sofrido. Quem já viveu ou assistiu a isso sabe do que falo.
    Independentemente dos anos que passaram, parece-me algo que não curaste em ti.Talvez devesses procurar alguma ajuda psicológica para que possas perdoar a pessoa que eras quando tinhas 18 anos. Acredito que tenhas feito aquilo que acreditavas ser o melhor naquele momento e provavelmente hoje achas que foi um erro. Não te culpes. Perdoa-te.

    Muita força para ti

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    1. Talvez até não tenha sido um erro. Às xs, simplesmente há decisões muito difíceis de tomar.

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  5. Que Tristes os comentários...tão fácil julgar os outros....
    Eu também o fiz...felizmente com alguém ao meu lado...e claro que existem marcas que ficam... mas hoje sei que a decisão foi nossa... e foi a acertada pela altura...
    Um grande beijinho de força.
    VIDA

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  6. Eu tive de o fazer em casa, porque o meu bebé morreu dentro de mim. Felizmente, tive sempre o meu marido do meu lado, mas é a pior perda do mundo.
    Para ainda pensar nisso é porque queria muito essa criança, por isso, imagino, deve sofrer como eu!
    Um abraço!

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  7. Uma amiga minha tambem fez um voluntariamente, ja faz uns 16 anos, e uma vez ou outra ela ainda refere o bébé (só entre nós, foi e continua a ser um segredo).
    Embora tenha sido mais "pratico " faze-lo, no sentido em que acabou o curso, viajou, bla bla bla, a verdade é que dentro dela ficou o - era um filho meu.
    Isso é uma coisa que ela vai carregar sempre, é emocional.

    Há pessoas que fazem abortos como quem vai beber um café, só acham uma chatisse, nao sentem mais nada, mas há outras para quem é uma experiencia muito profunda, mata algo dentro delas, literalmente e emocionalmente, mesmo que racionalmente até achem que seja a melhor opçao.

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